Skin Rejuvenation Technique: The Innovation of Procedures Using Renuvion / J-plasma
Arthur Vinicios Araújo de Souza1, Renata Bueno Bucci Py2, Fernanda Ferreira Kobata3, Aline de França Mangueira4, Bianca Dória Piovezan Oliveira5, Ana Carolina Ferreira Prudente6, Mauriene Carvalho Mergarejo do Amaral7, Diego Curvello da Silva8, Rayanne Marciano Moreno Pereira9, Luisa Nunes Fontes10, Laura Gomes Da Silva Scarpassi11, Micael da Costa Brito12, Sâmia Soares de Morais Rodrigues13, Lucas Fontenele de Alencar14, Riuller Lobo Trindade15, Daniel Yábar Bambaren16, Cristiane Pereira Bispo17, Taciane Ferreira Mendonça18, Caroline Cabral Macedo19, Jéssica Laís da Silva Alcântara20
1 Universidade de Rio Verde – Aparecida de Goiânia, Goiânia, Brazil, ORCID: 0009-0003-0132-0436
2 Universidade de Rio Verde – Aparecida de Goiânia Goiânia, Brazil, ORCID: 0009-0000-6875-9732
3 Universidade de Rio Verde – Campus Formosa, Goiás, Goiânia, Brazil
4 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil, ORCID: 0009-0001-6831-7392
5 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil, ORCID: 0009-0006-0548-5678
6 Universidade de Rio Verde – Aparecida de Goiânia, Goiânia, Brazil
7 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
8 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil, ORCID: 0009-0003-6645-9703
9 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
10 Universidade de Rio Verde – Campus Formosa, Goiás, Goiânia, Brazil
11 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
12 Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG), Mato Grosso, Brazil, ORCID: 0009-0004-1094-7668
13 Universidade de Rio Verde – Campus Formosa, Goiás, Goiânia, Brazil
14 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
15 Universidade de Rio Verde – Campus Formosa, Goiás, Goiânia, Brazil
16 Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
17 Formação acadêmica atual: Médica
18 Universidade Estácio de Sá (UNESA) Campus Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brazil, LATTES: 7032670787625512
19 Centro Universitário Euro Americano (UNIEURO), Distrito Federal, Brazil 20 Universidade de Rio Verde – Campus Formosa, Goiás, Goiânia, Brazil, ORCID: 0009-0000-3571-7077
Received: 6 June 2024
Revised: 9 June 2024
Accepted: 9 June 2024
Published: 9 June 2024
Keywords:
Plastic surgery, renuvion, skin, treatment.
Palavras-chave:
Cirurgia plástica, renuvion, pele, tratamento
Corresponding author:
Arthur Vinicios Araújo de Souza.
Universidade de Rio Verde – Aparecida de Goiânia, Goiânia, Brazil. araujooarthur01@gmail.com
doi: 10.5281/zenodo.11550515
ABSTRACT
The application of energy to tissues has a long history, dating back to the beginning of recorded civilizations. The use of heat through cauterization was an essential method for millennia to control bleeding. Over time, the constant evolution of heat application techniques to tissues led to the development of the fundamental principles of electrosurgery that we know today. In October 1926, Dr. Harvey Cushing successfully used an electrosurgical device created by Dr. William T. Bovie to remove a highly vascularized brain tumor from a patient, following previous unsuccessful attempts. Today, electrosurgical instruments are employed in nearly all surgical procedures worldwide. Skin tightening results from the healing cascade that occurs after tissue injuries, whether caused by surgical, thermal, or chemical trauma. The final phase of healing involves collagen contraction and skin tightening, which occurs when collagen bundles realign, promoting the overall contraction of soft tissue and skin. In this way, the effectiveness of a new class of atmospheric cold plasma (CAP) devices, known as Renuvion/JPlasma, is being analyzed. A systematic literature review was conducted through the PubMed platform, with careful selection and analysis of articles to elucidate the aspects of the cold plasma device. In this review, beneficial effects were identified compared to conventional devices or even in comparison with CO2 lasers, where it was found to have enhanced clinical effects with thermal dispersion, control of plasma flow length, less smoke, odor, and scabs, no current conducted through patients, and more effectiveness on tissues. The analysis aims to contribute to an improvement and greater visibility of the benefits, safety, and prognosis as the rejuvenation of patients undergoing the procedure progresses.
RESUMO
A aplicação de energia nos tecidos tem uma longa história, remontando ao início das civilizações registradas. O uso do calor através da cauterização foi um método essencial por milênios para controlar hemorragias. Com o tempo, a constante evolução das técnicas de aplicação de calor nos tecidos levou ao desenvolvimento dos princípios fundamentais da eletrocirurgia que conhecemos atualmente. Em outubro de 1926, o Dr. Harvey Cushing utilizou um dispositivo de eletrocirurgia criado pelo Dr. William T. Bovie para remover com sucesso um tumor cerebral altamente vascularizado de um paciente, após tentativas anteriores mal sucedidas. Atualmente, instrumentos de eletrocirurgia são empregados em quase todos os procedimentos cirúrgicos ao redor do mundo. O enrijecimento da pele resulta da cascata de cicatrização que ocorre após lesões nos tecidos, sejam elas causadas por trauma cirúrgico, térmico ou químico. A fase final da cicatrização envolve a contração do colágeno e o enrijecimento da pele, que ocorre quando os feixes de colágeno se realinham, promovendo a contração geral do tecido mole e da pele. Dessa forma, está sendo analisada a eficácia de uma nova classe de dispositivos de plasma frio atmosférico (CAP), denominados Renuvion/JPlasma. Realizou-se uma revisão sistemática de literatura por meio da plataforma pubmed, com seleção e análise criteriosa dos artigos, a fim de elucidar os aspectos do dispositivo de plasma à frio. Nesta revisão, foi identificada efeitos benéficos comparado aos dispositivos convencionais ou até mesmo em comparação com o laser de CO2, onde viu-se que possui efeitos clínicos aprimorados com dispersão térmica, controle do comprimento do fluxo de plasma, menos fumaça, odor e escaras, nenhuma corrente conduzida através dos pacientes e mais efetividade nos tecidos. A análise busca contribuir para um aprimoramento e uma maior visibilidade dos benefícios, segurança e prognóstico visto que progride o rejuvenescimento dos pacientes submetidos ao procedimento.
INTRODUCTION / INTRODUÇÃO
Eletrocirurgia por plasma de hélio
O uso de cauterizadores para aplicar calor aos tecidos foi uma prática inestimável no controle de hemorragias por milhares de anos (1). A melhoria contínua das técnicas para aproveitar os efeitos benéficos do calor nos tecidos levou ao desenvolvimento dos princípios fundamentais da eletrocirurgia que conhecemos atualmente. Um dos dispositivos mais recentes no mercado de tecnologia baseada em energia é o Renuvion® (Apyx Medical, Clearwater, Flórida), alimentado por plasma de hélio (1). Temos utilizado este dispositivo avançado em nossa prática nos últimos três anos e observamos que ele possui características vantajosas.
A energia exclusiva do Renuvion – uma combinação de plasma de hélio e radiofrequência (RF) proprietária – permite a aplicação controlada de calor aos tecidos, com mínima propagação térmica e aquecimento rápido seguido de resfriamento quase instantâneo (2). Esse resfriamento é parcialmente auxiliado pelo efeito do gás hélio sob a pele (em aplicações subdérmicas), resultando em menor tempo de ativação e, consequentemente, menor difusão de calor para a pele. Estudos abordados por Gentile(2), indicam que, durante o uso subdérmico do Renuvion, a temperatura da superfície da pele não aumenta tanto quanto com outras tecnologias subdérmicas. Por isso, o monitoramento da temperatura externa pode não ser essencial, embora possa ser útil para garantir a uniformidade do tratamento e como uma medida de segurança para detectar flutuações de temperatura anormalmente altas.
Acredita-se que o acoplamento da tecnologia ao tecido, juntamente com o efeito de resfriamento do hélio, provoque mudanças subdérmicas e termodinâmicas que facilitam o resfriamento dos tecidos adjacentes. Isso contribui para as propriedades únicas do dispositivo em limitar o aumento da temperatura dérmica e cutânea. Vamos explorar três aplicações do Renuvion que são significativas na cirurgia plástica facial e reconstrutiva.
Histórico da utilização do Renuvion
De acordo com o estudo de Gentile (3), no final da década de 1850, os plasmas tiveram sua estreia em uma aplicação “biológica”, quando Siemens utilizou uma descarga de barreira dielétrica para gerar ozônio e purificar água de contaminantes biológicos. No entanto, a pesquisa sistemática sobre a interação entre plasmas e células biológicas só teve início mais de 130 anos depois, em meados da década de 1990. A primeira descrição formal do plasma é atribuída a William Crookes, que o identificou em 1879. É notável que cerca de 99% do universo visível seja composto por plasma, sendo considerado o quarto estado da matéria, enquanto os outros estados são líquido, gasoso e sólido. Em 1929, o Dr. Irvine Langmuir foi pioneiro ao utilizar o termo “plasma” para descrever gás ionizado (3).
Entre as décadas de 1960 e 1980, foram feitas algumas tentativas de utilizar plasmas para esterilização biológica. No entanto, a maioria desses experimentos empregava o plasma como um componente secundário no processo de esterilização, e não houve uma investigação científica abrangente para compreender como o plasma interagia com as células bacterianas e levava à sua morte (2). Foi somente no início da década de 1990 que um grupo de pesquisa no Laboratório Nacional de Los Alamos iniciou estudos sobre os plasmas produzidos por laser, explorando suas aplicações médicas em áreas como oftalmologia, urologia e cardiologia (4).
Naquela época, o campo das aplicações biomédicas dos plasmas estava em sua fase inicial, recebendo pouca atenção da comunidade científica e praticamente nenhum financiamento. O apoio financeiro inicial veio da Direção de Eletrônica e Física do Escritório de Pesquisa Científica da Força Aérea dos EUA, por meio de um programa de transferência de tecnologia para pequenas empresas liderado pelo Dr. Robert J. Barker (4). Em 1998, foi realizada a primeira Conferência Internacional sobre Ciência do Plasma, focada na divulgação dos primeiros resultados de esforços coordenados para investigar as interações entre plasma e células. Posteriormente, todas as principais conferências internacionais sobre plasma seguiram esse exemplo (4).
Atualmente, as pesquisas incluem potenciais aplicações na cicatrização de feridas e no tratamento de certos tipos de câncer, induzindo a apoptose (4). As promissoras aplicações do Renuvion têm o potencial de levar os plasmas ainda mais longe nos campos médico e terapêutico, ampliando as possibilidades de aplicação biológica/médica dos plasmas em seu repertório de tópicos técnicos.
Objetivos
Geral
Revisar a técnica de rejuvenescimento da pele, analisando a inovação dos procedimentos com o uso do renuvion/J-plasma
Específicos
● Revisar a luz da literatura sobre a técnica de rejuvenescimento da pele com o renuvion/J-plasma.
● Analisar os resultados dos procedimentos na qualidade de vida dos pacientes.
● Fornecer a visão geral dos principais procedimentos cirúrgicos.
METHODS
Para concretizar os objetivos traçados sobre o uso dos procedimentos estéticos: Abordando o lifting facial e o rejuvenescimento facial, essa investigação empregou uma abordagem de revisão sistemática da literatura médica. O corpus documental foi composto por uma seleção criteriosa de artigos na base de dados PubMed, além de consultas a periódicos científicos especializados.
A estratégia de busca contou com a utilização dos descritores: “Renuvion”, “Skin” e “Treatment”, através do operador booleano “AND”. Desta busca, totalizaram 10 artigos selecionados, que posteriormente foram submetidos aos critérios de seleção.
Os critérios para inclusão utilizado foi a data de publicação nos últimos 5 anos. A seleção foi realizada de forma independente por dois revisores, e qualquer discordância foi resolvida por consenso. A partir dos 10 artigos selecionados foram utilizados os seguintes critérios de exclusão: artigos sem aprofundamento científico. Em seguida, após a aplicação dos critérios de seleção, com base na leitura dos títulos e objetivos dos artigos, foram selecionados 7 artigos em que os objetivos respondiam à pergunta norteadora deste trabalho, e submetidos à leitura minuciosa para coleta de dados.
De acordo com o comitê de ética 466/2012 o seguinte trabalho não apresenta o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) e não precisou de aprovação de um comitê de ética e pesquisa (CEP) para prosseguimento. Assim, os dados mencionados foram coletados dos artigos selecionados e com armazenamento correto, seguindo os requisitos éticos necessários de acordo com a lei.
RESULTS & DISCUSSION
Aspectos geográfico dos procedimentos
Abordado por Gentile (1), os baby boomers em envelhecimento representam uma força demográfica significativa nos Estados Unidos, com uma pessoa completando 60 anos a cada 10 segundos. Dados de 2017 indicam que entre 30% e 40% da população americana tem mais de 50 anos, o que equivale a mais de 115 milhões de potenciais pacientes com flacidez de pele no rosto e pescoço.
Cirurgias faciais excisionais, como a ritidectomia, têm sido tradicionalmente consideradas o padrão-ouro do rejuvenescimento facial. No entanto, nos últimos anos, surgiram novas tecnologias e dispositivos baseados em energia para o aperto subdérmico da pele (1). Estas novas técnicas são utilizadas tanto como tratamentos independentes quanto em combinação com a ritidectomia.
Rejuvenescimento baseado na energia
De acordo com Gentile, (1) abordado por seu trabalho falando sobre técnicas por rejuvenescimento por plasma de hélio, o autor aborda sobre o resurfacing da pele com base em energia utilizando várias formas de aplicação para gerar calor na epiderme e derme de maneira controlada e precisa. Esse calor pode permitir tanto a ablação exata do tecido quanto alterações sub ablativas, promovendo a remodelação inflamatória da derme reticular e minimizando danos térmicos colaterais (1). O objetivo ideal dessa aplicação de energia é induzir uma cicatrização segura das feridas com remodelação tecidual, melhorando diversas alterações relacionadas ao envelhecimento, como discromia, rugas, flacidez, hidratação, tamanho dos poros, textura e, potencialmente, perda de volume. Uma nova opção para o rejuvenescimento ablativo da pele, o Renuvion (Apyx Medical, Clearwater, Flórida), lançado em 2012, combina plasma de hélio e radiofrequência (RF) de maneira proprietária (2). Diferente de muitos outros dispositivos de rejuvenescimento da pele que operam com pulsos de duração específica, o Renuvion pode ser utilizado tanto em modo contínuo quanto em pulsos intermitentes (2). Este artigo aborda uma técnica de pulsos intermitentes para o uso do Renuvion no rejuvenescimento ablativo da pele, desenvolvida e utilizada exclusivamente pelo autor sênior (RDG) desde 2016 para seus pacientes. Além disso, são revisadas as opções para fracionar a energia emitida por este dispositivo em uma descrição técnica detalhada.
Quais os tipos de Renuvion? Como é feito?
Visto na pesquisa de técnicas por Gentile e McCoy (2020) o procedimento de rejuvenescimento da pele com plasma de hélio (Renuvion) é :
● Rejuvenescimento da Pele com Plasma de Hélio (Renuvion) – Método Contínuo:
○ Dispositivo e Fluxo de Gás Hélio: Utiliza um dispositivo de plasma de gás hélio ionizado com fluxo contínuo de gás hélio a 4 L/min.
■ Configurações de Potência: A potência varia de 10% a 40%, ajustável conforme necessário para diferentes pacientes e áreas de tratamento.
○ Preparação Pré-Tratamento:
■ Fotografia Tridimensional: São tiradas fotos tridimensionais dos pacientes antes do tratamento.
■ Consulta Pré-Tratamento: Os pacientes passam por uma consulta pré-tratamento para revisão do histórico médico e prescrição de medicamentos necessários.
○ Preparação do Paciente:
■ Anestesia Tópica: Os pacientes recebem anestésico tópico (lidocaína, prilocaína e fenilefrina) por 30 minutos.
■ Sedação Oral: É administrada sedação oral usando 0,25 mg a 0,5 mg de triazolam.
○ Procedimento:
■ Limpeza e Tumescência: A pele é limpa e tumescida antes do procedimento.
■ Administração de Bloqueios Anestésicos: São administrados bloqueios anestésicos em áreas específicas do rosto.
■ Aplicação do Plasma de Hélio: O plasma de hélio ionizado é aplicado de forma contínua, seguindo as configurações e áreas de tratamento planejadas.
● Técnica Pulsada de Rejuvenescimento da Pele com Plasma de Hélio (Renuvion):
○ Combinação de Tecnologias: Combina o uso do laser de érbio para ablação inicial com o plasma de hélio ionizado em modo pulsado para passagens adicionais.
○ Configuração de Pulsos: Os pulsos de plasma de hélio ionizado são ajustados pelo usuário de acordo com a técnica preferida e as áreas de tratamento.
○ Preparação e Procedimento: São semelhantes ao método contínuo, com a adição da aplicação do laser de érbio antes do plasma de hélio ionizado pulsado.
● Rejuvenescimento da Pele com Plasma de Hélio (Renuvion) – Técnica Fracionada:
○ Técnica Fracionada: Utiliza uma técnica fracionada onde o plasma de hélio ionizado é entregue sobre uma grade de silicone fracionada.
○ Configurações de Aplicação: As configurações de fluxo de gás e potência são semelhantes às outras técnicas, porém o plasma é aplicado de forma fracionada sobre a grade de silicone.
○ Preparação e Procedimento: São semelhantes às técnicas anteriores, com a adição da aplicação sobre a grade de silicone fracionada para uma abordagem mais segmentada do tratamento.
Quais os tipos de plasma existentes?
No estudo de aperto subdérmico feito por Gentile, (3) é observado que existem dois tipos de plasma: térmico e não térmico ou CAP (Plasma Atmosférico Frio). O plasma térmico tem elétrons e partículas pesadas (neutrons e íons) na mesma temperatura. O CAP é considerado não térmico porque tem elétrons a uma temperatura mais alta do que as partículas pesadas, que estão à temperatura ambiente (3). Na descrição usual, os termos CAP e plasma de hélio frio (CHP) representam a mesma entidade se o gás hélio for usado para a geração do CAP. Para este propósito, CAP e CHP serão usados de forma intercambiável para descrever o uso de CAP gerado por hélio. Existem vários métodos para produzir CAP, como descarga de barreira dielétrica, agulha de plasma e caneta de plasma (3). Vários gases diferentes podem ser usados para produzir CAP, como hélio, argônio, nitrogênio, heliox (uma mistura de hélio e oxigênio) e ar (3). Devido à capacidade do CAP de desativar microrganismos, causar desprendimento celular e causar morte em células cancerosas, as primeiras pesquisas sobre CAP foram para encontrar usos para CAP na odontologia e oncologia (3). Koinuma et al. apud Gentile, (3) desenvolveram o primeiro jato de plasma frio de radiofrequência (RF) em 1992. O catodo é um eletrodo de agulha feito de tungstênio ou aço inoxidável com um diâmetro de 1 mm conectado a uma fonte de RF (13,56 MHz). O eletrodo de agulha está dentro de um tubo de quartzo, enquanto o eletrodo de ânodo está aterrado. Dependendo da aplicação, hélio ou argônio foi misturado com vários gases.
Quanto à segurança e eficácia da tecnologia de plasma à base de hélio
No estudo proposto por Shridharani e Kennedy, (5) foi estudado e revisado os prontuários dos pacientes, onde revelaram 47 pacientes, sendo 39 mulheres e 8 homens, submetidos a um total de 68 tratamentos com tecnologia de RF de plasma à base de hélio. A idade média dos pacientes foi de 45 anos (variando de 20 a 67 anos), com um IMC médio de 25,8 kg/m² (variando de 19,7 a 36,6 kg/m²). As áreas de tratamento mais frequentes foram os braços (19,1% dos tratamentos) e o pescoço (16,2%), seguidos pelos flancos (14,7%), abdômen (11,8%) e parte superior das costas (11,8%). Então o resultado visto por Shridharani e Kennedy, (5) demonstra que embora várias áreas do corpo tenham sido alvo de tratamento, a maioria dos procedimentos com tecnologia de plasma à base de hélio (60,3%) foram realizados com uma potência de 75%, com uma vazão de hélio de 1,5 LPM e concluídos em 6 passagens. Em contraste, a configuração de potência (variando de 60% a 80%) e a energia aplicada (variando de 0,6 kJ a 18 kJ) são menos consistentes nas diversas áreas do corpo e nos indivíduos tratados, quando comparadas com a taxa de fluxo de hélio e o número de passagens.
Os resultados de Shridharani e Kennedy, (5) revelaram que, apesar do aumento na energia média aplicada em diferentes regiões corporais, como o abdômen (13,7 kJ) e o pescoço (7,1 kJ), não houve um aumento no número de eventos adversos (EAs) nessas áreas específicas. Quaisquer eventos adversos temporários (ETEs) e EAs não associados ao dispositivo de RF com plasma de hélio, mas relacionados ao procedimento, à anestesia ou a outros procedimentos simultâneos, foram prontamente resolvidos e não deixaram efeitos duradouros nos pacientes.
Shridharani e Kennedy, (5) afirma que embora os resultados sejam benéficos quanto aos benefícios e quanto às orientações para o uso seguro e eficaz da tecnologia de plasma à base de hélio, são necessários novas pesquisas, visando uma amostra maior e com abordagens e limitações diferentes para determinar a quantidade de energia necessária, ao tratar de eficácia e segurança.
Pensando na perspectiva abordada por Shridharani e Kennedy, (5) os estudos trazidos por Gentile, (3) falam que as configurações e protocolos para dispositivos recém-lançados nem sempre estão otimizados devido à falta de experiência clínica com o novo dispositivo. Dessa forma, Gentile, (3) aborda que em certos casos, as configurações podem ser conservadoras, enquanto em outros, podem resultar em uma transferência de energia excessiva. Para equilibrar efetivamente a energia aplicada, os resultados clínicos e a morbidade pós-tratamento, é proposto um protocolo que reduz a saída de energia por meio de pulsos no dispositivo de plasma, em vez de operar continuamente. Onde, por isso, o autor Gentile, (3) explorou o uso de grades fracionadas de silicone resistente ao calor para diminuir ainda mais as energias excessivas associadas ao resurfacing facial completo com plasma Renuvion no modo contínuo. Ao conciliar os resultados terapêuticos com a recuperação pós-tratamento, os autores trazidos por Gentile, (3) notaram uma redução nos tempos de recuperação para técnicas pulsadas e fracionadas, embora ele concorde também com o que foi proposto por Shridharani e Kennedy, (4) onde é necessário realizar estudos adicionais para aprimorar esses parâmetros.
Como o Renuvion atua?
A temperatura normal do corpo é de 37ºC e, com uma doença normal, pode aumentar para 40ºC sem impacto permanente ou dano às células do corpo. No entanto, quando a temperatura das células nos tecidos atinge 50ºC, a morte celular ocorre em aproximadamente 6 minutos (3). Quando a temperatura das células nos tecidos atinge 60ºC, a morte celular ocorre instantaneamente. Entre as temperaturas de 60ºC e um pouco abaixo de 100ºC, ocorrem dois processos simultâneos. O primeiro é a desnaturação de proteínas levando à coagulação, que será discutida mais detalhadamente posteriormente. O segundo é a dessecação ou desidratação, porque as células perdem água através da parede celular danificada termicamente. À medida que as temperaturas aumentam acima de 100ºC, a água intracelular se transforma em vapor, e as células do tecido começam a vaporizar devido à expansão intracelular maciça que ocorre. Finalmente, em temperaturas de 200ºC ou mais, as moléculas orgânicas se decompõem em um processo chamado carbonização. Essa carbonização deixa para trás moléculas de carbono que dão uma aparência preta e/ou marrom ao tecido. Compreender esses efeitos térmicos da energia de RF sobre células e tecidos pode permitir que as mudanças previsíveis sejam usadas para alcançar resultados terapêuticos benéficos. A desnaturação de proteínas levando à coagulação do tecido mole é um dos efeitos teciduais mais versáteis e amplamente utilizados. A desnaturação de proteínas é o processo no qual as ligações hidrotermais (ligações cruzadas) entre moléculas de proteína, como o colágeno, são quebradas instantaneamente e, em seguida, rapidamente reformadas à medida que o tecido esfria. Esse processo leva à formação de aglomerados uniformes de proteínas chamados coágulos, por meio de um processo subsequente conhecido como coagulação. No processo de coagulação, as proteínas celulares são alteradas, mas não destruídas, e formam ligações proteicas que criam estruturas homogêneas e gelatinosas. O efeito tecidual resultante da coagulação é extremamente útil e mais comumente usado para ocluir vasos sanguíneos e causar hemostasia. Além de causar hemostasia, a coagulação resulta em contração previsível do tecido mole. O colágeno é uma das principais proteínas encontradas na pele humana e tecido conjuntivo. A temperatura de coagulação/desnaturação do colágeno é convencionalmente declarada como 66,8ºC, embora isso possa variar para diferentes tipos de tecido. Uma vez desnaturado, o colágeno se contrai rapidamente à medida que as fibras encolhem para um terço do seu comprimento total. No entanto, a quantidade de contração depende da temperatura e da duração do tratamento. Quanto mais quente a temperatura, menor o tempo de tratamento necessário para uma contração máxima. Como exemplo, Gentile, (3) fala que o colágeno aquecido a uma temperatura de 65ºC deve ser aquecido por mais de 120 segundos para ocorrer uma contração significativa, mas a uma temperatura de 85ºC, a contração máxima ocorre em aproximadamente 0,044 segundos. Esse princípio de contração do colágeno induzida termicamente por desnaturação e coagulação do tecido mole é bem conhecido na medicina e é usado para alcançar resultados benéficos em oftalmologia, aplicações ortopédicas, tratamento de varizes e procedimentos de cirurgia plástica estética (3). Uma vez que o tecido é aquecido à temperatura apropriada, a desnaturação de proteínas e a contração do colágeno ocorrem, resultando em uma redução do volume e da área superficial do tecido aquecido (4). O uso não invasivo de dispositivos de RF, lasers e dispositivos de plasma tem sido usado para a redução de rugas faciais e rítides causadas pela contração do colágeno/tecido induzida termicamente desde meados da década de 1990 (4).
Concordando com o artigo proposto anteriormente, Gentile, (1) aborda que cada tipo de colágeno tem uma temperatura ótima de contração que não causa destruição térmica do tecido conjuntivo, mas induz um efeito de reestruturação nas fibras de colágeno. A faixa relatada de temperaturas que causam encolhimento do colágeno varia de 60°C a 85°C. Nessa temperatura, a contração do tecido ocorre imediatamente após o tecido atingir a temperatura limiar. A redução do tecido é dramática e pode chegar a até 30% do volume do tecido aquecido. Esse tipo de contração é bem estudado na córnea, articulações, cartilagem e tecido vascular, mas sua aplicação para o aperto da pele, tecido subdérmico e tecido subcutâneo tem sido raramente estudada.
Complicações
Por ser um dispositivo tecnicamente novo, liberado pela FDA em 2012, é muito utilizado para uma série de funções, inclusive como complemento à lipoaspiração. Dentro disso, no relato de caso realizado por Daulat et al. (6), é abordado que o procedimento de complemento à lipoaspiração é conhecido como “endurecimento da pele subdérmica”. Pegando os aspectos supracitados ao longo deste artigo, vemos que o endurecimento da pele é uma consequência da sequência de cicatrização da ferida após lesões nos tecidos, seja por trauma cirúrgico, térmico ou químico. Concomitantemente, Daulat et al. (6) concorda onde fala que o ápice desse processo, a contração do colágeno e o endurecimento da pele, ocorre na fase final da cicatrização da ferida, envolvendo um rearranjo dos feixes de colágeno que permite a contração global do tecido mole. O Renuvion emprega energia fornecida pelo plasma em vez de apenas luz ou radiofrequência (6). O plasma geralmente é gerado por meio de uma descarga de energia que causa ionização, excitação ou dissociação de moléculas de gás ou líquido, resultando na formação de vários plasmas gasosos; no caso do Renuvion, o hélio é utilizado (6). A energia fornecida gera calor, removendo células epiteliais foto danificadas antigas da superfície da pele e estimulando o crescimento de colágeno na derme (6). Neinstein e Funderburk (7) apud Daulat et al. (6) cita que um dos benefícios sugeridos do Renuvion é sua concepção de forma a possibilitar a entrega de efeitos precisos e localizados, minimizando lesões teciduais indesejadas.
Doolabh (8) apud Daulat et al. (6) embora as queimaduras sejam mencionadas como um possível efeito adverso, até o momento houve poucas evidências de sua ocorrência em pacientes tratados.
A frase acima confirma a evidência traçada por Gentile (3) onde fala que não houve eventos documentados de quaisquer queimaduras ou até mesmo necrose associado ao uso do Renuvion. E dessa forma, Daulat et al. (5) confirma essa proposta usando o estudo de Neinstein e Funerburk (6), falando também que não tinham avistado nenhum relato de complicações significativas referentes ao renuvion/j-plasma.
Em contraste, mediante ao que foi visto durante o artigo, e o que foi mencionado na literatura proposta por Daulat et al. (6), o seu relato de caso aborda uma lesão térmica, que conclui-se ser um achado extremamente raro em pacientes submetidos a procedimentos que utilizam esse tipo de tecnologia. Daulat et al. (6) fala que sua paciente apresentou melhora significatiav com o uso de sulfadiazina de prata tópica, terapia de luz infravermelha e técnicas de massagem linfática.
CONCLUSION / CONCLUSÃO
Diante das análises detalhadas sobre os aspectos geográficos dos procedimentos, o rejuvenescimento baseado em energia, os tipos de Renuvion e plasma existentes, bem como a segurança e eficácia da tecnologia de plasma à base de hélio, é possível concluir que o plasma de hélio oferece uma abordagem promissora e inovadora para o rejuvenescimento da pele. Com sua capacidade de gerar calor controlado e preciso na epiderme e derme, o plasma de hélio induz remodelação tecidual, melhorando uma variedade de alterações relacionadas ao envelhecimento, como discromia, rugas e flacidez.
Além disso, os estudos revisados destacam a importância de abordagens personalizadas e protocolos de tratamento refinados para garantir resultados ótimos e seguros. Embora o Renuvion tenha demonstrado benefícios significativos, é essencial continuar pesquisando e aprimorando os parâmetros de tratamento para maximizar a eficácia e minimizar as complicações.
Embora relatos raros de complicações, como lesões térmicas, tenham sido observados, a grande maioria dos pacientes experimenta resultados positivos com pouco ou nenhum efeito adverso. Com a devida precaução e o uso adequado das configurações do dispositivo, o rejuvenescimento baseado em energia, especialmente com tecnologias como o Renuvion, continua a oferecer uma opção segura e eficaz para aqueles que buscam melhorar a qualidade da pele e combater os sinais do envelhecimento.
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REFERENCES / REFERÊNCIAS
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