(Burnout in Healthcare Professionals: Contributing Factors and Mitigation Strategies)

Arthur Vinicios Araujo de Souza1, Joao Victor Araujo Tocantins2, Jhenifer de Almeida Filho3, Cristiane Pereira Bispo4,     Alline Nayara Carrera Oliveira5, Maria Eduarda Vicentin Nince6, Ane Karoliny da Silva Bezerra7, Aline Pereira Neves8,   Bruna Abrantes Bacelar9, Evandro Delmondez Oliveira10, Eduarda Cruz Tavares11, Fabrício Gomes Sarres12, Isabela Mundim Santiago Silva13, Isabela Chaves Chiaretto Guerra14, Luiza Corrêa Ciraulo15, Stephany Fernandes de Paiva16, Leonardo Tavares Domingos17, Alexia Beatriz da Silva18, Lucas Tavares Domingos19

  1. Universidade de Rio Verde – Aparecida de Goiânia, Goiânia, Brazil, ORCID: 0009-0003-0132-0436
  2. Universidade de Rio Verde – Campus Formosa, Goiás, Brazil, ORCID: 0000-0001-9617-1397
  3. Centro Universitário Euro Americano, Brasilia, Brazil, ORCID: 0000-0002-7992-3638
  4. Universidad Central Del Paraguay, Ciudad del Este, Paraguay
  5. Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil, ORCID: 0009-0003-1418-7398
  6. Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
  7. Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
  8. Centro Universitário Estácio do Pantanal (FAPAN), Mato Grosso, Brazil
  9. Centro Universitário das Américas (FAM), São Paulo, Brazil
  10. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil, ORCID: 0000-0002-1773-0478
  11. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil, ORCID: 0009-0005-2263-2329
  12. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil, ORCID: 0009-0009-1213-2311
  13. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil
  14. UniCEUB, Brasília, Brazil, ORCID: 0009-0008-9500-2397
  15. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil
  16. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil, ORCID: 0009-0004-5868-5724
  17. Universidade Católica de Brasília, Brazil, ORCID: 0009-0000-6604-8945
  18. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil, ORCID: 0009-0009-8737-9685
  19. Centro Universitário Euro Americano, Brasília, Brazil, ORCID: 0009-0004-6558-7006

Received: 08 August 2024

Revised: 11 August 2024

Accepted: 11 August 2024

Published: 11 August 2024

Keywords:

Burnout, health professional, risk factor.

Palavras-chave:

Burnout, profissional de saúde, fator de risco

Corresponding author:

Arthur Vinicios Araujo de Souza.

Universidade de Rio Verde – Aparecida de Goiânia, Goiânia, Brazil,

ORCID: 0009-0003-0132-0436

araujooarthur01@gmail.com

doi: 10.5281/zenodo.13294754

ABSTRACT

Burnout is a psychological response to work-related stress, characterized by emotional exhaustion, depersonalization, and cynicism, along with a reduction in personal accomplishment. Defined by the World Health Organization (WHO) as an occupational phenomenon resulting from poorly managed chronic stress, burnout is not considered a medical condition but rather a state of weariness that affects mental and physical health. This issue is common among healthcare professionals and medical students, where it has significant negative effects, such as low productivity, high turnover, and an impact on the quality of patient care. The prevalence of burnout is difficult to determine accurately due to variability in diagnostic criteria and overlap with symptoms of depression. A systematic literature review was conducted through PubMed, with careful selection and analysis of articles, to elucidate contributing factors and coping mechanisms for healthcare professionals experiencing burnout. This review identified that personal characteristics and experience play an important role. Younger or less experienced professionals tend to be more susceptible to burnout. It was also observed that inadequate time management along with work-life balance, and a lack of appreciation and recognition for professional contributions, are significant factors that can contribute to increased burnout.
RESUMO
O burnout é uma resposta psicológica ao estresse relacionado ao trabalho, caracterizada por exaustão emocional, despersonalização e cinismo, e uma redução no sentimento de realização pessoal. Definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional resultante de estresse crônico mal gerido, o burnout não é considerado uma condição médica, mas sim um estado de desgaste que afeta a saúde mental e física. Esse problema é comum entre profissionais de saúde e estudantes de medicina, onde tem efeitos negativos significativos, como baixa produtividade, alta rotatividade e impacto na qualidade dos cuidados ao paciente. A prevalência de burnout é difícil de determinar com precisão devido à variabilidade nos critérios diagnósticos e à sobreposição com sintomas de depressão. Realizou-se uma revisão sistemática de literatura por meio da plataforma pubmed, com seleção e análise criteriosa dos artigos, a fim de elucidar os aspectos fatores contribuintes e meios de enfrentamento dos profissionais da área da saúde com burnout. Nesta revisão, foi identificado características pessoais e experiência desempenham um papel importante. Profissionais mais jovens ou com menor experiência tendem a ser mais suscetíveis ao burnout. Foi visto também que a administração de tempo inadequada juntamente com equilíbrio entre vida, trabalho, a falta de valorização e reconhecimento pelas contribuições profissionais é um fator significativo que pode contribuir para o aumento do burnout.

INTRODUCTION / INTRODUÇÃO

Burnout é um termo utilizado para descrever a reação psicológica ao estresse relacionado ao ambiente de trabalho. Ele se manifesta por meio de exaustão emocional, aumento dos níveis de despersonalização e cinismo, além de uma redução na sensação de realização pessoal ou eficácia (1)

O burnout é uma questão crítica que afeta profissionais de saúde em todo o mundo, e nos últimos anos, sua prevalência crescente tem chamado atenção significativa. Essa síndrome de esgotamento ocupacional tem sido particularmente relevante na profissão de enfermagem, onde estudos indicam que o burnout é um problema comum tanto nos Estados Unidos quanto em contextos internacionais. A vasta literatura sobre enfermagem destaca o impacto negativo do burnout nos resultados de saúde e na eficiência do cuidado prestado por enfermeiros (2).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu, em 2019, o burnout como um fenômeno ocupacional, classificando-o na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como QD85. Essa classificação indica que o burnout está relacionado a “problemas associados ao emprego ou desemprego,” distinguindo-o de uma condição médica.

Isso ressalta a necessidade de estratégias eficazes para prevenir e mitigar os efeitos do burnout na força de trabalho da área de saúde, especialmente entre enfermeiros, onde os níveis de exaustão emocional, despersonalização e redução do senso de realização pessoal são preocupantes (3). Embora reconhecido pela OMS, o burnout não é classificado como uma doença médica. Nos últimos anos, houve um aumento significativo do interesse em pesquisar o burnout. Esse crescente interesse impulsionou a criação de diversos questionários destinados a avaliar o burnout, entre os quais se destacam o Maslach Burnout Inventory (MBI) , o Copenhagen Burnout Inventory (CBI) , e o Oldenburg Burnout Inventory (OBI) (1).

As taxas de esgotamento são notavelmente altas entre profissionais de saúde e têm sido ligadas a uma série de consequências negativas, como redução da produtividade, aumento da rotatividade no emprego e diminuição do bem-estar físico e psicológico . Esses fatores, por sua vez, impactam negativamente o cuidado ao paciente, resultando em erros de medicação, diminuição da qualidade dos cuidados prestados e até fatalidades, Hagemann et al. (4) apud (1).

Objetivos

Geral

Analisar os fatores contribuintes e meios de enfrentamento do burnout em profissionais da área de saúde.

Específicos

●                             Analisar fatores epidemiológicos e predisponentes ao burnout.

●                             Analisar à luz da literatura sobre os fatores “sentimentais” dos pacientes em relação a sensação de esgotamento ocupacional.

●                             Discutir o manejo do burnout em profissionais da área da saúde.

METHODS

Para concretizar os objetivos traçados sobre Incidência e Fatores de Risco para a síndrome do ovário policístico, essa investigação empregou uma abordagem de revisão sistemática da literatura médica. O corpus documental foi composto por uma seleção criteriosa de artigos na base de dados PubMed, além de consultas a periódicos científicos especializados.

A estratégia de busca contou com a utilização dos descritores: “Burnout”, “Health Professional” e “Risk Factor”, através do operador booleano “AND”. Desta busca, totalizaram 2867 artigos, que posteriormente foram submetidos aos critérios de seleção.

Os critérios para inclusão utilizado foi a data de publicação no último ano e com o filtro “review”. A seleção foi realizada de forma independente por dois revisores, e qualquer discordância foi resolvida  por consenso. A partir dos 18 artigos selecionados foram utilizados os seguintes critérios de exclusão: artigos sem aprofundamento científico. Em seguida, após a aplicação dos critérios de seleção, com base na leitura dos títulos e objetivos dos artigos, foram selecionados 13 artigos em que os objetivos respondiam à pergunta norteadora deste trabalho, e submetidos à leitura minuciosa para coleta de dados.

De acordo com o comitê de ética 466/2012 o seguinte trabalho não apresenta o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) e não precisou de aprovação de um comitê de ética e pesquisa (CEP) para prosseguimento. Assim, os dados mencionados foram coletados dos artigos selecionados e com armazenamento correto, seguindo os requisitos éticos necessários de acordo com a lei.

RESULTS AND DISCUSSIONS

Fatores epidemiológicos e clínicos

Determinar com precisão a incidência e prevalência do burnout é extremamente desafiador devido a vários fatores. Primeiramente, os critérios diagnósticos para o burnout são frequentemente ambíguos, vagos e sujeitos a diferentes interpretações. Além disso, diferentes estudos aplicam critérios diagnósticos variados e, às vezes, conflitantes. Outra dificuldade surge da sobreposição dos sintomas do burnout clínico severo com os da depressão (5).

No entanto, é evidente que o burnout afeta com mais frequência indivíduos de meia-idade que apresentam comportamentos de personalidade tipo A. Esses indivíduos são caracterizados por serem ambiciosos, dedicados, motivados, altamente competitivos, com um forte senso de urgência e controle, e uma preocupação excessiva com o gerenciamento do tempo. Além disso, pessoas com traços de neuroticismo, que incluem ansiedade, hostilidade, autoconsciência e vulnerabilidade emocional, também são frequentemente afetadas pelo burnout. Embora as respostas cognitivas e emocionais a experiências de vida estressantes possam variar entre diferentes grupos étnicos e sociais, as características essenciais do burnout são semelhantes, independentemente da ocupação, cultura ou etnia, sem diferenças significativas entre os sexos (5).

Os recursos energéticos mentais e físicos de cada indivíduo são finitos. A energia mental é um recurso psicológico interno crucial que regula emoções, cognição, funções executivas (como atenção e memória de trabalho) e comportamentos. Ela afeta a motivação, a auto-recompensa, o julgamento e a tomada de decisões apropriadas, além de sustentar a resistência mental e física, controlar respostas inadequadas e promover tolerância e força de vontade (6). Esse processo de controle e regulação demanda uma parte significativa da energia mental disponível. A energia mental é dinâmica e adaptativa, variando conforme uma complexa interação entre fatores internos, como genética, epigenética, traços de personalidade, saúde geral, qualidade do sono e aspectos psicológicos, e fatores externos, como suporte social, exposição a estressores ambientais e estilo de vida (incluindo dieta e prática de exercícios físicos) (6).

Concordando com Aust et al (2022) o trabalho de Khammissa et al (2022) aborda que o esgotamento clínico prolongado está ligado a uma excitação somática exagerada, que inclui tensão, irritabilidade, distúrbios do sono e níveis elevados de cortisol no sangue. Esse estado contínuo de esgotamento também afeta as funções executivas, resultando em problemas de memória, concentração e atenção, além de dificuldades cognitivas e no sono. Pessoas que enfrentam burnout frequentemente sentem desamparo, desesperança, impotência, baixa autoestima, cinismo, insatisfação com suas conquistas pessoais, angústia, estratégias de enfrentamento inadequadas e problemas relacionados ao trabalho.

Complementando, Khammissa et al (5) fala que o Burnout e distúrbios do sono não são raros em indivíduos expostos a estressores psicossociais ou profissionais crônicos, provavelmente porque o esgotamento dos recursos energéticos e a desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e do sistema nervoso simpático são processos fisiopatológicos comuns a ambas as condições. Além disso, há uma inter-relação entre burnout e problemas de sono, onde a desregulação emocional associada ao burnout agrava os distúrbios do sono, e a fadiga resultante de problemas de sono e o esgotamento dos recursos energéticos intensificam o burnout (5). Dessa forma, burnout e comprometimento do sono se sustentam mutuamente. Nesse cenário, a dificuldade em adormecer, o sono de má qualidade e o cansaço ao acordar reduzem ainda mais os recursos energéticos cognitivos e emocionais, diminuindo a capacidade de enfrentamento psicológico e agravando o burnout (5).

No início da formação acadêmica

Nos últimos dez anos, as escolas médicas intensificaram o foco no bem-estar dos alunos, em resposta ao aumento do sofrimento psicológico que muitos estudantes enfrentam. Embora não haja um consenso preciso sobre a definição de bem-estar, ele é geralmente entendido como uma combinação de saúde mental e física satisfatória, juntamente com um senso de propósito, satisfação e significado na vida (7). A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades”. O conceito de “bem-estar” está associado a um estado positivo, apresentando a saúde como um objetivo a ser alcançado, além da simples ausência de enfermidades (7).

Pesquisas indicam que aproximadamente 50% dos estudantes de medicina passam por sentimentos de desamparo psicológico, distanciamento emocional e esgotamento (7). No início de seus cursos, esses estudantes costumam ter níveis de saúde mental semelhantes aos de seus colegas da mesma faixa etária e nível educacional. No entanto, ao ingressarem na faculdade de medicina, muitos começam a experimentar um declínio significativo em sua saúde mental, que tende a piorar à medida que progridem em sua formação acadêmica. Altos níveis de sofrimento são frequentemente associados a questões como esgotamento, depressão, redução da empatia, comportamento não profissional, abandono da carreira médica e, em casos extremos, risco de suicídio. Portanto, é fundamental compreender os fatores intrínsecos e extrínsecos que influenciam o bem-estar dos estudantes de medicina. Fatores pessoais, como características de personalidade, histórico de saúde e tipos de estratégias de enfrentamento, além de fatores institucionais, como a competitividade, cargas de trabalho excessivas, exposição constante a doenças e falta de apoio, têm sido associados à deterioração do bem-estar desses estudantes (7).

No estudo de Haykal et al (7) demonstrou em sete questionários validados que foram aplicados a mais de 37.000 estudantes de medicina de 12 países diferentes. Onde viu-se que, o bem-estar é avaliado em diversos domínios (emocional, físico, social, financeiro, entre outros), proporcionando uma abordagem mais holística do estado de ser de um indivíduo. Dessa forma, ele fala que em um ambiente acadêmico onde o desempenho não é apenas desejado e incentivado, mas também exigido, o sofrimento psicológico está frequentemente associado a uma baixa autopercepção acadêmica. Está bem documentado que o bem-estar mental, assim como outros fatores, como motivação e empatia, tendem a diminuir à medida que os alunos avançam em sua educação médica.

Notavelmente, um em cada cinco estudantes já tirou ou considerou tirar uma folga da faculdade especificamente para cuidar de si. Apesar da significativa prevalência de sofrimento psicológico entre estudantes de medicina, os esforços para abordar os fatores de risco continuam a ser amplamente negligenciados. Mesmo nos dias de hoje, o bem-estar dos estudantes de medicina permanece precário, apesar do aumento da conscientização, dos recursos disponíveis e das tentativas das faculdades de promover a defesa e o apoio à saúde mental.

Além disso, foi comprovado que as relações entre colegas podem ter um efeito protetor contra o baixo desempenho acadêmico e o sofrimento. Abordar a saúde mental nas instituições médicas representa um investimento de longo prazo, que visa o desenvolvimento de estudantes de medicina em médicos emocionalmente equilibrados e capazes de contribuir positivamente para a força de trabalho na área da saúde.

Relação causal entre o fator intrínseco do paciente com os sintomas de burnout

O estudo de Aust et al (6) trouxe uma perspectiva interessante sobre o quão gratificante o paciente se sente referenciando o seu trabalho e o burnout. Dessa forma foi caracterizado três parâmetros principais e que foram muito bem avaliados: absorção, equilíbrio entre demandas e habilidades percebidas e prazer durante o desempenho da tarefa.

Prazer

Os estudos de Aust et al (6) analisaram o prazer como uma faceta individual do fluxo demonstraram uma forte correlação negativa com os sintomas de burnout. Essa faceta mostrou consistentemente que o prazer durante o trabalho pode atuar como uma força protetora contra o burnout, especificamente contra a exaustão emocional e o cinismo. Esta relação pode ser explicada pelo fato de que o prazer, enquanto emoção positiva, ajuda a aliviar o estresse e a identificar aspectos positivos em situações adversas. Assim, o prazer pode neutralizar o estresse agudo e crônico, prevenindo o desenvolvimento de sintomas de burnout.

Absorção

Em relação à absorção, os resultados foram mais variados. Embora tenham sido observadas mais correlações negativas do que positivas entre a absorção e os sintomas de burnout, também houve várias associações não significativas. Algumas pesquisas relataram que a absorção está ligada à exaustão emocional e à soma do MBI-GS e OLBI-S, que medem o burnout. No entanto, apenas um estudo indicou que a absorção poderia exacerbar a exaustão, sugerindo um potencial viciante da experiência de fluxo. Isso se relaciona com a teoria de que a absorção pode levar ao workaholism, que, por sua vez, contribui para o aumento da exaustão emocional.

Motivação Intrínseca

A motivação intrínseca foi examinada em apenas três estudos. Os resultados mostraram algumas associações negativas, como entre a motivação intrínseca e a exaustão emocional geral, mas também houve correlações não significativas. Isso sugere que a motivação intrínseca pode ter um impacto menos consistente nos sintomas de burnout, ou que seus efeitos podem variar entre ser positivos ou negativos, dependendo do contexto. Mais investigações são necessárias para compreender completamente essas dinâmicas.

Fatores de risco

Em uma análise feita por Burri et al (8), os fatores de risco foram características dos participantes, ambiente, estruturas e experiências que demonstram uma predisposição significativa ao burnout. No total, foram incluídos quarenta e seis estudos, envolvendo 8.717 participantes, onde foram identificados cinquenta e três fatores de risco, sendo quatro deles classificados como inevitáveis e quarenta e nove como evitáveis. Os fatores de risco evitáveis foram organizados em diferentes categorias: estruturais/organizacionais, que representaram 32% do total de participantes dos fatores; psicológicos/emocionais, com 19%; ambientais, também com 19%; e sociodemográficos, que corresponderam a 13% dos fatores identificados.

Estudo de Sullivan et al. (9) concordaram com os fatores de risco supracitados, onde enquadraram que a carga de trabalho excessiva, o sofrimento moral, um sistema de apoio falho, recursos limitados, treinamento inadequado e a intimidação são fatores que contribuem significativamente para o burnout. Além disso, a exposição prolongada ao estresse pode resultar em ansiedade, depressão, exaustão física e mental e despersonalização, todos contribuindo para o esgotamento dos enfermeiros. Horários de trabalho prolongados e horas extras obrigatórias são comuns no setor de saúde, especialmente em enfermagem, agravando ainda mais a situação. A escassez de pessoal e as restrições de tempo aumentam a pressão sobre os profissionais da saúde, enquanto a má gestão e as baixas proporções profissionais-paciente criam um ambiente de trabalho desafiador. A falta de apoio da equipe também desempenha um papel crucial, deixando-os sem os recursos necessários para lidar com as demandas diárias de seus trabalhos.

Esse conjunto de fatores também é confirmado no estudo de Puga et al. (10), que mostra que os fatores que influenciam o desenvolvimento da insatisfação no trabalho são diversos e incluem aspectos como turnos noturnos, sobrecarga de trabalho, ambiente de trabalho, conflitos sociofamiliares, estresse, burnout e fadiga por compaixão. Devido às atuais restrições financeiras no sistema de saúde, a duração das internações hospitalares dos pacientes foi frequentemente reduzida, resultando em uma carga de trabalho significativamente maior para os enfermeiros. Essa carga de trabalho aumentada tem impactos negativos na saúde dos profissionais, pois horas de trabalho mais longas ou turnos irregulares, como turnos rotativos, estão associados a uma maior probabilidade de burnout. Esse fenômeno de sobrecarga não apenas afeta a saúde dos enfermeiros, mas também compromete a qualidade do cuidado prestado, já que a intensidade do burnout interfere diretamente no desempenho dos enfermeiros e na qualidade dos cuidados oferecidos.

Formas de enfrentamento

No estudo de Maresca et al (11) aborda a perspectiva de uma melhor consciência emocional onde viu-se em sua pesquisa que ajudou as pessoas a perceber, compreender e expressar seus sentimentos, melhorando, assim, a comunicação. Uma maior inteligência emocional (a habilidade de entender as causas das emoções) pode auxiliar na distinção entre problemas subjetivos e objetivos. Ressaltaram o impacto positivo dos grupos de apoio, onde todos os funcionários podem se reunir para discutir os aspectos emocionais do trabalho, cultivando um senso de “compreensão compartilhada”, pois um problema comum era frequentemente a falta ou má comunicação entre colegas e superiores. Profissionais de saúde que se dedicam à autoconsciência, regulando emoções, reconhecendo erros e expressando suas dúvidas, podem melhorar a empatia e ajudar os outros. Dessa forma, cada profissional também pode perceber que não está “sozinho” no gerenciamento de situações estressantes. Proposto também nos estudos abordados por Maresca et al (11) onde diferentes soluções, como treinamento em habilidades mente-corpo, incluindo exercícios de relaxamento como meditação, respiração, mantras de atenção plena em grupo ou ioga; habilidades cognitivas, como entender como usar a reformulação cognitiva e estratégias para ajudar a reduzir pensamentos ruminativos e a autocrítica negativa; um programa sobre educação sobre o estresse que fornecesse informações sobre a fisiologia do estresse e seu impacto a longo prazo no corpo e na mente (dessa forma, foi possível estabelecer uma ligação entre sinais fisiológicos e pensamentos angustiantes); estratégias rápidas para aplicar em tempo real, como técnicas para organizar o dia, mesmo quando o tempo é limitado; e o aprendizado de habilidades para aumentar a resiliência, permitindo-lhes lidar eficazmente com sua exposição crônica ao estresse, melhorando os cuidados e as relações com os pacientes. Esse tipo de treinamento pode servir como uma intervenção funcional onde a prática e o feedback são cruciais para gerar efeitos comportamentais positivos.

Perez et al (12) apud Maresca et al (11) sugeriram estender essas estratégias para além do ambiente de trabalho, criando também espaços pessoais para autocuidado físico, úteis para promover o distanciamento emocional e físico. Durante períodos desafiadores, alguns trabalhadores expressaram a necessidade de se desligar temporariamente do trabalho para recuperar a compostura e preservar o equilíbrio psicológico. Maresca et al (11) traz como exemplo que eles escolheram obter distanciamento físico ou simplesmente buscar um “time-out”, solicitando períodos de descanso. Assim, puderam dedicar tempo aos seus hobbies, praticar atividade física e cuidar do corpo, por exemplo, através de uma educação nutricional adequada.

Continuando com o raciocínio supracitado, Khammissa et al (5) traz que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem psicológica interativa que busca apoiar a saúde mental ao identificar e modificar pensamentos negativos e processos emocionais relacionados a estressores psicológicos ou profissionais, bem como as respostas mentais e físicas inadequadas a esses estressores. A TCC foca em questões atuais e na autoconsciência em relação aos objetivos pessoais de vida, visando normalizar o estado emocional e promover um pensamento direcionado, enfrentamento eficaz, adaptação às demandas e a capacidade de neutralizar situações problemáticas e corrigir comportamentos inadequados.

No contexto do burnout, a TCC tem se mostrado relativamente eficaz na melhoria do comportamento voltado para o trabalho, no desempenho geral e na redução da tensão mental. Combinada com intervenções específicas para o ambiente de trabalho, a TCC oferece benefícios clínicos significativos e pode facilitar um retorno rápido às atividades profissionais. No entanto, para aprimorar ainda mais a eficácia da TCC, é essencial abordar diretamente os fatores específicos que contribuem para o desenvolvimento do burnout.

Não somente a TCC pode ser abordada como também a atenção plena, onde Khammissa et al (5) A atenção plena é um processo mental que visa alcançar um estado de consciência atento, através do envolvimento sem julgamentos e da observação livre e deliberada das próprias emoções, sentimentos, pensamentos e ações à medida que surgem. Aqueles que praticam a atenção plena demonstram uma maior flexibilidade psicológica e conseguem controlar de maneira eficaz experiências internas negativas, permitindo assim um envolvimento mais positivo com o ambiente ao seu redor. Isso pode facilitar uma mudança na percepção cognitiva, possibilitando a reavaliação de emoções negativas e eventos da vida, e permitindo encontrar um sentido de significado, compaixão e identidade em meio a experiências adversas, o que leva à modificação de comportamentos desadaptativos. Khammissa et al (5) aborda que a melhora na regulação emocional, atencional e comportamental induzida pela prática da atenção plena está ligada a níveis aumentados de energia mental pessoal, autocontrole, satisfação, consciência, empatia e competência. Além disso, ela está associada a mudanças estruturais e funcionais positivas em regiões do cérebro, como o córtex pré-frontal, a amígdala e o hipocampo, que regulam as funções executivas, a aprendizagem e as respostas ao estresse. No contexto do burnout, a reavaliação positiva dos estressores do trabalho e das respostas cognitivas e emocionais a esses estressores (como exaustão emocional e fadiga mental), mediada pela atenção plena, através da atribuição mental de uma conotação mais benigna, pode promover uma melhor compreensão do próprio esgotamento. Isso, por sua vez, aumenta a resiliência mental e restaura um sentido de significado, apesar das circunstâncias adversas que levaram ao burnout.

Então Khammissa et al (5) fala que para lidar com o esgotamento ocupacional, é essencial focar tanto na capacidade psicológica individual quanto no ambiente de trabalho. Aumentar a capacidade psicológica para enfrentar estressores e implementar mudanças no local de trabalho são medidas fundamentais para controlar o burnout.

Por outro lado, Hoffman et al. (13) acrescentam que ser pai ou mãe está associado a um risco reduzido de burnout, independentemente das horas trabalhadas.

CONCLUSION

A compreensão e a gestão do burnout é um fenômeno complexo e desafiador de se medir devido à ambiguidade dos critérios diagnósticos e à sobreposição com sintomas de depressão. A dificuldade em determinar a incidência e prevalência do burnout é exacerbada pela falta de critérios diagnósticos claros e pela sobreposição de seus sintomas com os da depressão. A falta de um consenso sobre o bem-estar e o impacto das demandas acadêmicas contribuem para um ciclo de estresse e esgotamento que compromete a qualidade da educação e a saúde dos futuros profissionais da saúde. Foi visto que os fatores de risco para o burnout incluem não apenas características pessoais e ambientais, mas também questões estruturais e organizacionais, como cargas de trabalho excessivas e suporte inadequado. Em última análise, a integração de estratégias de enfrentamento individualizadas e mudanças organizacionais é essencial para mitigar o burnout e promover um ambiente de trabalho e de aprendizado mais saudável e sustentável. Reconhecer e abordar tanto os fatores intrínsecos quanto os contextuais é crucial para desenvolver soluções eficazes e duradouras para o burnout, garantindo o bem-estar e a eficácia dos profissionais de saúde e dos estudantes em formação.

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